
DA SÉRIE: PRINCIPAIS CONCEITOS DE WILHELM REICH
Reich chamou de "couraças" os mecanismos de defesa que o corpo e a mente criam, de forma inconsciente, para se proteger de dores emocionais ou traumas. Essas defesas, embora ajudem a manter o equilíbrio interno, acabam bloqueando o nosso fluxo natural de energia e vitalidade. No corpo, elas podem aparecer como tensões, dores ou problemas físicos; na mente, como medos, ansiedade ou outros sintomas emocionais.
Servem para proteger o indivíduo contra experiências emocionais dolorosas e ameaçadoras, funcionando como um escudo que protege o indivíduo contra impulsos perigosos oriundos de sua própria personalidade, assim como das investidas de terceiros (LOWEN, 1982).
O encouraçamento revela bloqueios no fluxo da energia orgone (energia vital), comprometendo sua pulsação natural, essencial ao funcionamento dos processos vitais do organismo.
“Seu modo de reagir procede sempre de acordo com o princípio do prazer e do desprazer. Em situações de desprazer, a couraça se contrai; em situações de prazer, ela se expande” (REICH, 1998).
As emoções correspondem ao movimento da energia orgone no organismo e os bloqueios emocionais, a perturbações no movimento espontâneo dessa energia, os quais interferem na função de pulsação.
O encouraçamento se manifesta nos órgãos e tecidos que executam as ações do corpo, sendo resultado direto de mensagens distorcidas — causadas pelos mecanismos de defesa — que chegam até eles devido a falhas na integração promovida pelo sistema nervoso central. Também pode aparecer nos órgãos sensoriais, gerando bloqueios ou distorções na forma como percebemos o mundo. (TROTTA, 2000).
Reich decodificou e mapeou o componente psicoemocional envolvido com o encouraçamento de cada região do corpo, o qual ele chamou de disposição segmentar da couraça. Segundo Reich, a couraça se dispõe no corpo em sete segmentos que são: ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico.

O conceito reichiano revela que, ao flexibilizar as couraças e tensões musculares, as emoções reprimidas e as memórias emergiam à consciência. O processo terapêutico deve buscar a conscientização e a flexibilização dos mecanismos defensivos, e não “eliminá-los”, já que isto seria impossível (CALEGARI, 2001).
CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
CALEGARI, D. Da Teoria do Corpo ao Coração: Uma Visão do Homem a Partir da Energia Cósmica. São Paulo: Summus Editorial, 2001.
LOWEN, Alexander. Bioenergética. Trad. Maria Silva Mourão Netto. São Paulo: Summus, 1982.
REICH. W. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
TROTTA, Ernani E. “Wilhelm Reich e a psicossomática”. In: MALUF, Nicolau (Org.). Reich: O corpo e a clínica. São Paulo: Summus, 2000. p. 105-122.