A FÁSCIA E A TERAPIA CORPORAL

Bem-vindo ao mundo da Fáscia! Você pode ter ouvido esta palavra ultimamente. Possivelmente na clínica de fisioterapia (tratamento para fasceite plantar ou a massagem de liberação miofascial) ou até mesmo na academia (com o rolo de liberação miofascial). 

Mas a Fáscia está se tornando uma palavra da moda agora, está sendo muito falada entre os profissionais de saúde e por motivos muito importantes que eu vou tentar resumir nesse vídeo. E além disso, quero falar da importância de se trabalhar a fáscia no processo da Terapia Corporal.

MAS AFINAL, PORQUE TANTO SE FALA DA FÁSCIA E PORQUE ELA É TÃO IMPORTANTE?

A Fáscia é um tecido conjuntivo fibroso que permeia todo o nosso corpo (e não só nos músculos, como pensam alguns). Ela está literalmente em todo lugar, como uma teia de aranha.  Se alguém removesse todos os músculos, ossos, órgãos, todas as células, veias e artérias e a pele do seu corpo, você ainda teria exatamente a mesma forma! Portanto, ela nos molda, nos dá a nossa forma. E tendo esta imagem na cabeça, conseguimos entender claramente que a Fáscia é mais que apenas um tecido. 

Hoje ela é considerada um órgão, mas não um órgão qualquer, mas o nosso maior ÓRGÃO SENSORIAL (mais enervado que a pele, com mais de 250 milhões de terminações nervosa); ela escuta e reage a TUDO o que nos acontece, todo movimento interno e externo, a tudo o que pensamos e sentimos. Partes de sua estrutura têm a capacidade de percepção tátil, de temperatura, de PH, de cisalhamento, pressão e mesmo distensão. 

A Fascia não é só um tecido e não é só um órgão, mas também um SISTEMA. Ela é o maior sistema do corpo por tocar todos os outros! TUDO ESTÁ CONECTADO A TUDO PELA FÁSCIA! Ela conecta e separa todos os órgãos e células, fazendo a comunicação entre as diversas estruturas do nosso corpo. É o seu poder de conexão que permite a tração e contração dos músculos, promove uma rede de transmissão de força em todo o corpo, ajuda a estabilidade e a postura corporal. 

Este tecido vivo faz a conexão entre corpo e mente. E é neste ponto que eu gostaria de chegar para falar da Terapia Corporal. A Fáscia faz a conexão direta com o nosso sistema nervoso através de receptores, que reagem e respondem a tudo o que sentimos e pensamos. E estes receptores estão envolvidos diretamente com a formação da memória emocional no corpo, também conhecida como COURAÇA. 

O trabalho da terapia corporal consiste em flexibilizar as couraças, ou seja, reduzir a tensão e bloqueio de defesa emocional instalada no corpo. O objetivo é devolver ao corpo a pulsação natural e facilitar a sua autorregulação, pensando em um equilíbrio de carga e descarga energética.

Portanto, este conhecimento da Fáscia é fundamental para facilitar e otimizar qualquer trabalho terapêutico que é realizado pelo corpo.

Falando de uma forma resumida, na Terapia Corporal, os exercícios propostos vão estimular o Sistema Nervoso Autônomo (SNA) para que atinja as emoções que estão reprimidas no corpo e com isso liberá-las. 

Com o avanço da ciência, sabemos hoje que as memórias ficam registradas no tecido fascial, portanto, as couraças são formadas neste tecido, e não nos músculos como antes se pensava. Os músculos com excesso ou com falta de tensão apropriada (por causa da couraça) é uma conseqüência de um tecido fascial desequilibrado. 

Ao se trabalhar apropriadamente com a fáscia, facilitamos:

  1. Um sistema nervoso mais equilibrado e relaxado, o que permite que o cliente se sinta seguro e não crie mais barreiras, ou seja, não crie mais resistências com o processo terapêutico. Para que o nosso corpo seja capaz de se curar e autorregular, é preciso que o SNA esteja no modo relaxamento, seguro e não submetido ao estresse. Desacelerar a mente para deixar o corpo agir. Para isso, é preciso realizar movimentos que estimulam a Fáscia a se relaxar, e isso automaticamente relaxa o sistema nervoso. Portanto, tais movimentos são fundamentais previamente ao trabalho terapêutico para o estímulo e flexibilização das couraças.
  2. Uma ativação do SNA em segurança também permite uma comunicação mais eficiente entre mente e corpo, pois o fluxo de informação é facilitado. Uma preparação do corpo é fundamental para a eficiência da terapia corporal.
  3. Maior percepção das emoções, pelo trabalho da interocepção, que é a capacidade de perceber as sensações internas, que é própria da Fáscia. Ou seja, o trabalho com a fáscia facilita a consciência pela melhor percepção das couraças;
  4. O estímulo das couraças pode ser realizado através de técnicas que estimulam o tecido fascial, a saber: expansão, mobilidade, vibração, força excêntrica, força elástica, sustentação... enfim, pode-se utilizar de diversos recursos para facilitar a liberação emocional;
  5. Por fim, a liberação emocional ocorre de forma mais espontânea após o estímulo do tecido fascial. Nossas couraças ficam impressas em nossa Fáscia, que pode estar mais densa, ressecada, embolada e tensa, sem condições de deslizar, tornando os movimentos mais presos, difíceis e dolorosos. Portanto, é preciso manter os tecidos fasciais liberados, abertos, flexíveis e hidratados, através do movimento em tensegridade, expansão e relaxamento. Ao colocar o corpo em tensegridade (tensão bem distribuída), todo o sistema tende a se regular e a emoção que está “presa” é mais facilmente desbloqueada e os movimentos expressivos mais facilitados. Além disso, a fáscia quando expandida cria espaços internos que são fundamentais para o fluxo de energia (e emoção é energia), de sangue, da linfa, de nutrientes e de toxinas que precisam ser liberadas. E é preciso haver relaxamento para que haja expansão! 

Enfim, a ciência está avançando nesta área e estamos confirmando cada vez mais sobre a importância desse tecido para não só a nossa saúde física, mas também emocional e mental.

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CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®

 

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