Você já teve a sensação de que vive “na cabeça”? Pensamentos acelerados, tensão constante no pescoço, nos ombros ou na lombar? Sente-se desconectado do próprio corpo, como se estivesse “pairando” ou com dificuldade de relaxar?

Se respondeu sim a alguma dessas perguntas, talvez você esteja com o corpo suspenso — um estado de desequilíbrio energético em que a vitalidade se concentra na parte superior do corpo, especialmente na cabeça, e se afasta da base.

Segundo Alexander Lowen, criador da Bioenergética, isso tem sido cada vez mais comum na sociedade moderna. Fomos ensinados a valorizar o pensamento, a produtividade e o controle mental — mas, nesse processo, desconectamos da base, do instinto, da emoção e da força vital que mora na parte inferior do corpo.

Quando a energia sobe demais, o corpo perde sustentação

A maioria das pessoas hoje vive com o foco no topo: pensamentos, fala, decisões, desempenho. Enquanto isso, regiões como o abdômen, a pelve e as pernas — que são nossa base de sustentação — ficam tensas, travadas ou até “desligadas”.

Essa energia ascendente cria uma cisão entre corpo e mente, entre razão e emoção. É como se vivêssemos “do pescoço para cima”, nos distanciando de sensações, desejos, prazer e até mesmo da segurança interior.

Para os orientais, o centro vital está no hara (região abaixo do umbigo). Quando estamos conectados a esse ponto, sentimos equilíbrio, presença e confiança. Quando perdemos essa conexão, surgem sintomas como ansiedade, insegurança, medo de falhar ou de se entregar — inclusive ao prazer.

O que causa esse desequilíbrio?

Tudo isso gera um corpo em modo de alerta, que tenta controlar tudo com a mente, mas que vive desconectado da própria energia vital.

O que é grounding?

Na Terapia Corporal, usamos o termo grounding para descrever o estado em que o corpo está conectado ao chão, presente no aqui e agora, com os pés firmes e a energia bem distribuída.

É quando a energia volta a circular de forma natural: da cabeça ao chão e do chão para cima.
É quando o corpo respira, sente, relaxa, se entrega — e recupera a espontaneidade e o prazer de viver.

Estar “aterrado” é mais do que uma metáfora. É literalmente estar enraizado na vida, com presença, segurança e fluidez.

Como recuperar seu centro?

A boa notícia é que esse estado pode ser recuperado com práticas simples e consistentes. A Terapia Corporal utiliza movimentos, respiração e consciência corporal para desfazer tensões, reorganizar o fluxo energético e trazer o corpo de volta ao seu eixo natural.

No Curso Online de Movimentos Terapêuticos, você vai aprender:

Um corpo com grounding é um corpo que confia.
Ele não precisa se segurar — ele se sustenta.

🌿 Se você sente que está “no ar”, desconectado de si, esse é o chamado para voltar para o chão, para o corpo, para a vida.

Vamos juntos?

CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®

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Wilhelm Reich é considerado o pai das Psicoterapias Corporais no Ocidente. A Psicoterapia Corporal parte do princípio de que mente e corpo formam uma unidade indissociável, atuando de forma integrada na experiência humana.

Médico, psicanalista e cientista natural, Reich rompeu com a Psicanálise freudiana ao perceber a importância de incluir o corpo na clínica – entre outras divergências conceituais com Freud. Observando que as resistências e neuroses dos pacientes se manifestavam também no corpo, Reich desenvolveu três abordagens terapêuticas ao longo de sua trajetória pós-psicanalítica:

Essas três abordagens representam um continuum em sua obra, com evolução metodológica e a introdução de novas concepções filosóficas, científicas e clínicas.

O Legado de Reich e o Desenvolvimento de Novas Abordagens Corporais

A partir das descobertas de Reich, diversas abordagens terapêuticas corporais foram desenvolvidas, muitas delas denominadas neo-reichianas. As mais conhecidas incluem:

Outras Modalidades de Terapia Corporal

Além das abordagens de base reichiana, outras linhas corporais contemporâneas também se destacam no campo terapêutico:

Enfim, o corpo é uma via essencial de acesso à experiência emocional, à memória e à transformação terapêutica. Graças a Reich e aos desenvolvimentos posteriores, a Psicoterapia Corporal hoje se apresenta como um campo rico, diverso e profundamente transformador, oferecendo múltiplos caminhos para o autoconhecimento, a cura de traumas e o florescimento do ser.

Claudia Veloso - Corpoterapia®

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Imagine descobrir que um componente crucial do seu corpo foi negligenciado por tanto tempo. Em laboratórios de anatomia, este tecido era descartado, pois achava-se que era inútil no nosso corpo. 

A fáscia, esse tecido aparentemente simples, na verdade desempenha um papel vital em nossa saúde física, emocional e mental. A fáscia não é apenas um tecido inerte; é um sistema dinâmico e altamente adaptável que responde não apenas aos estresses mecânicos, mas também às nossas experiências emocionais e traumáticas ao longo da vida.

Prepare-se para ter sua mente aberta para as possibilidades que a fáscia oferece! Veja abaixo 07 motivos para você começar a trabalhar seu corpo de forma inteligente:

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  4. Liberação de Tensões e Traumas Emocionais: A fáscia não apenas armazena tensões físicas, mas também emocionais. Ao estimular a fáscia, você pode liberar traumas emocionais e encontrar uma sensação renovada de bem-estar e equilíbrio.
  5. Aumento da Energia e Vitalidade: A fáscia desempenha um papel fundamental na circulação de energia pelo corpo. Ao trabalhar a fáscia, você pode aumentar sua energia e vitalidade, sentindo-se mais vibrante e revigorado.
  6. Melhoria da Circulação Sanguínea e Linfática: Estimular a fáscia pode melhorar a circulação sanguínea e linfática, promovendo uma melhor saúde cardiovascular e uma resposta imunológica mais eficaz.
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Trabalhar com a Fáscia é uma oportunidade que poucos reconhecem, mas que pode transformar sua saúde e bem-estar. O trabalho com a fáscia foi um divisor de águas na minha profissão, e espero que você reconheça a sua importância e comece a se movimentar de forma inteligente e eficaz!

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CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®

 

CONHEÇA AS ABORDAGENS TERAPÊUTICAS REICHIANAS: ANÁLISE DO CARÁTER, VEGETOTERAPIA CARACTERO-ANALÍTICA E ORGONOTERAPIA

As abordagens reichianas representam um importante desdobramento dentro do campo das terapias corporais e psicodinâmicas. Desenvolvidas por Wilhelm Reich, médico e psicanalista austríaco, essas práticas integram corpo, mente e energia vital, propondo uma compreensão ampliada do ser humano. Reich foi pioneiro ao perceber que os processos psíquicos estão intimamente ligados às expressões corporais e ao fluxo energético do organismo. Suas contribuições desafiaram os limites da psicanálise tradicional e abriram caminhos para uma clínica que reconhece o corpo como protagonista no processo terapêutico. A seguir, exploraremos a evolução de suas ideias, desde a Análise do Caráter até a Orgonoterapia, destacando os fundamentos e princípios que estruturam as abordagens reichianas.

Segundo Câmara (2009), Reich resgata a importância da libido na origem das neuroses, defendendo que o equilíbrio entre a carga e a descarga dessa energia torna o indivíduo menos propenso ao adoecimento.

Enquanto a psicanálise tradicional se apoia na livre associação — em que o paciente deve falar tudo o que lhe vem à mente —, Reich passou a se concentrar na análise das resistências. Como explica Chastka (2007), ele percebeu que “era essa tendência dos pacientes em esconder a verdade sobre si mesmos, a sua resistência, que era necessária ser desmascarada primeiramente, antes que as memórias e sentimentos reprimidos pudessem aparecer”.

Após seu rompimento com a psicanálise, Reich desenvolveu três fases terapêuticas principais: a Análise do Caráter (até 1934), a Vegetoterapia Caractero-Analítica (de 1934 a 1939) e a Orgonoterapia (de 1939 a 1957). Essas abordagens formam um desenvolvimento contínuo de sua obra, marcando a evolução de sua técnica e a incorporação de novas perspectivas filosóficas.

ANÁLISE DO CARÁTER

Entre 1920 e 1934, Wilhelm Reich desenvolveu a Análise do Caráter, propondo que a energia sexual — ou energia vital — ficava bloqueada na couraça muscular, formada por padrões corporais e emocionais rígidos associados às neuroses. Diferente da psicanálise tradicional, Reich observou que a resistência ao tratamento não estava apenas no conteúdo do que o paciente dizia, mas principalmente na forma como ele se expressava. Ou seja, o foco passou a ser o “como” e não apenas o “o quê” (CHASTKA, 2007).

Segundo Trotta (2000), Reich analisava sinais como tom de voz, postura, gestos e expressões faciais, levando o paciente a tomar consciência desses comportamentos. O trabalho terapêutico, então, começava pela análise dessas resistências inconscientes, para depois alcançar os conteúdos reprimidos. À medida que o paciente entendia seu modo de funcionar no presente, ia reconstruindo sua história e promovendo uma nova forma de ser (CÂMARA, 2009).

A abordagem reichiana passou a considerar o corpo como expressão direta da psique, destacando a importância de ler os traços corporais como manifestações do fluxo energético (REICH, 2003). Como explica Scarpato (1999), o corpo e a postura estão intimamente ligados aos mecanismos de defesa e à história emocional da infância — a criança interior permanece ativa e influencia o comportamento adulto.

VEGETOTERAPIA CARACTEROANALÍTICA (VCA)

A Vegetoterapia Caracteroanalítica (VCA) foi desenvolvida por Wilhelm Reich em 1937 como uma extensão da Análise do Caráter, aplicando seus princípios ao corpo. O nome da técnica vem do sistema neurovegetativo (hoje chamado sistema nervoso autônomo), responsável pelas funções involuntárias do organismo e dividido entre os sistemas simpático e parassimpático.

Para Reich, a VCA não substitui a Análise do Caráter, mas a amplia para o plano somático, unindo interpretação verbal e intervenções corporais (ALBERTINI, 2009). Essa foi a primeira proposta estruturada de psicoterapia corporal.

Reich observou que todo bloqueio emocional se expressa também no corpo, especialmente na musculatura, e que essa repressão é mediada pelo ego sobre o sistema vegetativo (WAGNER, 2003). Assim, ao trabalhar diretamente sobre os músculos enrijecidos, o terapeuta ajudava o paciente a acessar conteúdos inconscientes e promover a liberação emocional (REICH, 1975, 1979).

Ele propôs técnicas como massagens, respiração profunda, movimentos oculares e expressões corporais para ajudar o paciente a se conectar com emoções reprimidas. Com isso, surgiam mudanças espontâneas na postura, no comportamento e nas atitudes emocionais.

O trabalho se inicia no segmento ocular e segue até o segmento pélvico, respeitando a ordem do desenvolvimento emocional infantil. Embora Reich não tenha deixado uma sistematização completa da VCA, essa tarefa foi realizada por seguidores como Federico Navarro (1995), que organizou os "actings" para cada segmento.

Apesar de seus benefícios, Reich alertava que, ao fim do processo, padrões neuróticos podem tentar se reinstalar, trazendo inseguranças diante do prazer e da entrega à vida. Ainda assim, ao recuperar o reflexo do orgasmo, o sujeito retoma o contato com sua energia vital e com os outros (CÂMARA, 2009).

ORGONOTERAPIA

Entre 1939 e 1957, Wilhelm Reich expandiu suas pesquisas para a biologia, investigando a bioeletricidade e o movimento pulsante dos seres vivos. Ao estudar a decomposição de tecidos, descobriu os bions, pequenas unidades de energia vital. A partir disso, identificou a existência de uma energia cósmica primária, que denominou energia orgone, base da ciência que fundou: a Orgonomia (NETO, 2019).

A energia orgone é pulsante, viva e imprevisível, irradiada pelos bions, e influencia tanto o funcionamento biológico quanto os estados emocionais (CALEGARI, 2001). O corpo humano, segundo Reich, é um sistema orgonótico, cuja forma revela o movimento energético interno (REICH, 2003). Essas descobertas aprofundaram sua compreensão sobre o encouraçamento – a rigidez muscular e emocional que bloqueia o fluxo energético.

Reich desenvolveu o conceito de biopatia, doenças causadas por distúrbios da pulsação biológica, especialmente da descarga sexual, considerada essencial para a saúde (REICH, 2009). A contenção do fluxo de energia orgone, causada pelo encouraçamento, gera bloqueios energéticos que predispõem o organismo às biopatias.

Para tratar esses bloqueios, Reich introduziu aparelhos orgonômicos e passou a denominar sua abordagem terapêutica de orgonoterapia, com foco na restauração da pulsação vital e do equilíbrio biofísico do indivíduo (WAGNER, 2003). Essa prática envolve técnicas que atuam diretamente no corpo e nas emoções, promovendo autonomia, autorregulação e integração psíquico-somática.

Segundo Reich (1998), a orgonoterapia é uma terapia biológica, que não se restringe ao campo psíquico ou fisiológico, mas atua sobre o sistema nervoso autônomo e nas emoções, vistas como movimentos plasmáticos de prazer (expansão) ou angústia (retração).

Essa abordagem integra análise do caráter, vegetoterapia e o uso da energia orgone, reconhecendo que corpo e mente são inseparáveis, pois ambos estão enraizados no mesmo funcionamento energético corporal (REICH, 2009).

Por fim, embora muitas das ideias de Reich tenham sido inicialmente vistas com ceticismo, suas investigações abrangem áreas tão diversas — da biologia às galáxias, da psicoterapia à ecologia — que hoje algumas começam a ganhar respaldo da ciência contemporânea (CALEGARI, 2001).

CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ALBERTINI, P.; FREITAS, L. V. (Org.). Jung e Reich: articulando conceitos e práticas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. p. 148-157.

CALEGARI, D. Da Teoria do Corpo ao Coração: Uma Visão do Homem a Partir da Energia Cósmica. São Paulo: Summus Editorial, 2001.

CÂMARA, Marcus V. de A. Wilhelm Reich: Dados Biográficos e Orientações Básicas. IN: ALBERTINI, P.; FREITAS, L. V. (Org.). Jung e Reich: articulando conceitos e práticas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. Pag 97-107.

CHASTKA, Edward. The historyofthedevelopmentof medical orgonetherapy. Journal of Orgonomy, vol. 41, no. 2, 2007. IN: NETO, FRANCISCO BISSOLI. O Funcionalismo Orgonômico de Wilhelm Reich e A Sua Concepção de Saúde-Adoecimento. Programa de pós-graduação em saúde coletiva; Centro de ciências da saúde. UFSC. Florianópolis, 2019. 

NETO, Francisco Bissoli. O Funcionalismo Orgonômico de Wilhelm Reich e A Sua Concepção de Saúde-Adoecimento. Programa de pós-graduação em saúde coletiva; Centro de ciências da saúde. UFSC. Florianópolis, 2019. 

REICH. W. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

REICH, Wilhelm. O Éter, Deus e o Diabo; seguido de A Superposição Cósmica. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003.

REICH, Wilhelm. A Biopatia do Câncer. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009. 

SCARPATO, Artur Thiago.  A Psicossomática Reichiana. Artigo publicado pela Revista Catharsis n. 28 Nov-dez 1999.

WAGNER, Cláudio Mello. A Transferência na Clínica Reichiana. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003. 

Iniciei a minha graduação em 1998, ano em que a Educação Física estava sendo regulamentada como profissão. De lá pra cá, muita coisa mudou na formação dos profissionais nesta área e hoje se percebe um grande avanço acadêmico na concepção do ser humano e uma abordagem mais integral na qual o profissional de educação física é capaz de contribuir para a formação humana. Minha carreira tem mudado significativamente de paradigma, desde quando iniciei minha busca por um sentido maior de atuação nesta área. O movimento corporal humano é o objeto de estudo da área, contudo apenas como uma forma de se descobrir um aumento das "capacidades de rendimento físico". 

No início da minha carreira profissional na Educação Física, eu via o corpo como uma máquina com capacidades e habilidades restritas, na dimensão física e motora. A atividade física promovia saúde física e “algum bem-estar” como consequência, como liberação de endorfina, por exemplo, mas não imaginava a profundidade de todo um sistema complexo que é ativado e gerado no organismo. A forma e a performance eram objetivos tradicionalmente desejados e, portanto, traçados, pois estética e desempenho sempre foram valorizados na área, e por mim consequentemente.

No entanto, me sentia incomodada com algo que eu ainda não tinha consciência, e que parecia faltar em meu trabalho nesta área. Cheguei a fazer uma especialização em Acupuntura, um curso bem diferente de tudo que já tinha visto, o qual que me abriu a mente para novas formas de entender o Ser Humano. Porém, na época eu ainda tinha uma visão de mundo mecanicista demais para assimilar tais conteúdos e acabei abandonando o curso.

Fui trilhando outras possibilidades de atuação, descobrindo e passando pela Gestão de Pessoas e Coaching; áreas que chamaram minha atenção num momento em que passei a valorizar mais os aspectos psico-cognitivos (a mente), ignorando a importância de uma concepção integral de ser humano na minha atuação profissional. 

Foram seis anos trabalhando com o Coaching (focado ememagrecimento, saúde e bem-estar), cuja metodologia era realizada basicamente por processos cognitivos/mentais. Hoje eu percebo que tudo isso parece indicar uma tamanha incompletude! Demorei a perceber que a minha visão profissional continuava mecanicista e fragmentada quanto à minha concepção de ser humano, tanto na Educação Física quanto no Coaching.  

Por volta 2016, enveredei-me por estes caminhos através das “Práticas Corporais Alternativas” (PCAs), caracterizadas por serem práticas terapêuticas relacionadas ao corpo e ao movimento humano, cujo desenvolvimento acontece de forma não convencional e/ou não tradicional, sendo consideradas, portanto, de abordagem integrativa e holística.

Nesta época, eu questionava se minha atuação profissional era ou poderia ser terapêutica, se eu teria a ousadia de atuar não só no corpo físico, mas também no corpo emocional, mental, energético, social, espiritual... Surge aí uma nova questão: estaria eu me intrometendo em outras competências profissionais?

Entrei num momento de desconstrução de antigas crenças, aquelas mecânicas, racionalistas e cientificistas. Entendi posteriormente que é impossível lidar com pessoas apenas no aspecto físico e desconsiderar os demais aspectos, que juntos compõe a integralidade do ser humano. Estamos caminhando cada vez mais para a integralidade da educação e da saúde, no entanto ainda temos que vencer o desafio da visão mecanicista e fragmentada que herdamos historicamente no ocidente. 

Foi então que em 2017 tive contato com a teoria de Wilhelm Reich, médico psicanalista e cientista natural, discípulo de Freud, que foi o pioneiro no trabalho com o corpo integral na clínica psicoterapêutica, e por isso é considerado o pai das terapias corporais contemporâneas no Ocidente na década de 1930. Ele percebeu que o Ser Humano vivencia a sua plenitude por meio de sua potência orgástica (através da sua potência de vida, expressa pelo bom fluxo da energia vital em nosso organismo); e pela sua capacidade de se autorregular, promovendo assim o estabelecimento de sua saúde integral.

Havia um “objeto” comum do meu interesse – o corpo – que serviu de pilar para que eu me aprofundasse em sua teoria e que me daria uma base científica na minha prática terapêutica corporal; e ao mesmo tempo me daria respostas aos meus questionamentos sobre a relação entre o corpo físico, mental, emocional, energético, social e espiritual.  

Reich foi um cientista audacioso, que se dedicou a expandir os limites da ciência tradicional e mecanicista, mantendo sempre um olhar atento à verdadeira essência científica — pautada no conhecimento, na pesquisa rigorosa e na ética.

Nasceu em 24 de março de 1897, em Dobrzynica, uma aldeia da Galícia, parte do antigo império austro-húngaro. Durante sua vida, Reich desenvolveu teorias e técnicas terapêuticas próprias, as quais são (ainda) pouco consideradas pela comunidade acadêmica. Pelo fato de ter-se baseado numa concepção energética-vitalista e não no mecanicismo-materialismo, foi alvo de críticas tanto pelos meios científicos, quanto políticos e religiosos de sua época. Para ele, a era das máquinas introduziu o paradigma mecanicista na psicologia e na filosofia natural. 

Foi excluído dos quadros da Associação Internacional de Psicanálise e passou, a partir de 1934, a chamar de Economia Sexual o seu conjunto de teorias. Interessado pela importância de energia sexual, Reich determinou-se a descobrir a natureza física da energia “libido”, que Freud havia inicialmente postulado, construindo e ampliando suas principais abordagens terapêuticas: a Análise do Caráter, a Vegetoterapia Carateroanalítica e a Orgonoterapia.

Saindo da linearidade psicanalítica de focar apenas em sintomas, Reich alavanca o modelo analítico e psicoterapêutico da época passando a considerar o nível sistêmico. Para curar os sintomas, deve-se entender, diagnosticar e trabalhar o caráter da pessoa. Para isto, é impossível ignorar o corpo e sua linguagem, pois ela expressa o caráter.

Segundo Reich, o corpo revela aspectos visíveis do mundo inconsciente e é considerado a porta de entrada fundamental para se buscar reequilibrar as disfunções neurovegetativas e o caráter de uma pessoa. 

Em 1939 mudou-se para os Estados Unidos onde passou a trabalhar no campo da biofísica, estudando as principais leis físicas, especialmente em como a energia se comportava dentro e fora do indivíduo.

A visão reichiana se baseia pela busca da simplicidade na profundeza dos fenômenos e não pela fragmentação do conhecimento e dissociação da realidade, como o fazem no mecanicismo da ciência moderna. Reich propõe, através do pensamento funcional, o "retorno à simplicidade", a busca do princípio de funcionamento comum (PFC), o qual permite à humanidade a compreensão da essência dos fenômenos da vida. 

Minhas experiências e buscas estão me levando para uma linha de atuação no desenvolvimento humano dentro deste paradigma funcionalista da ciência natural proposta por Reich. Este conceito tem mudado minha perspectiva na minha carreira, cuja concepção de ser humano se expandiu para um conceito integral, ou seja, uma visão de um ser indissociável, conectado, interdependente, funcional, energético e cósmico.

CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®

O pensamento de Reich reconhece que o ser humano é resultado da interação entre o corpo, a mente e o meio social. Para ele, o “caráter” é formado por essas três dimensões — biológica, psicológica e social — e é isso que dá forma ao nosso ego, ou seja, à maneira como nos relacionamos com o mundo.

O caráter é um conjunto de defesas inconscientes que o indivíduo desenvolve como forma de se proteger em situações de conflito. Funciona como uma estratégia automática de sobrevivência, moldando tanto o seu funcionamento psíquico quanto corporal. É, portanto, a maneira habitual como a pessoa se expressa e se relaciona consigo mesma, com os outros e com o mundo.

Quando a estrutura da personalidade de uma pessoa bloqueia o equilíbrio natural da sua energia vital e sexual, isso pode abrir caminho para o surgimento de problemas emocionais no futuro (REICH, 1998).

Reich dizia que a neurose não é somente um distúrbio psíquico, mas um estado de ser comprometido em seus aspectos biológico, psicológico, social e espiritual. 

Em toda neurose o corpo é anestesiado. Sentindo mais o corpo, sentimos mais a angústia e a dor. O que é próprio do encouraçamento é justamente a diminuição da sensibilidade (sensação não apenas muscular, mas também visceral, de ondas de prazer e de emoção) e da motilidade corporal. Uma forma de reduzir a dor profunda e a angústia se dá através da diminuição da sensibilidade geral, portanto, através das couraças (SCARPATO, 1999). 

Por outro lado, não só a dor e a angústia são reduzidas, mas ocorre também a diminuição da expansão pulsional, ou seja, a diminuição da sensibilidade ao prazer e à alegria. 

Os traços de caráter estão ligados ao contexto sócio-histórico e à dinâmica emocional das fases do desenvolvimento infantil. Essas fases se estruturam, primordialmente, em torno das zonas corporais erógenas, e cada uma delas está associada a uma organização afetiva, motora e cognitiva específica. Como resultado, cada tipo de caráter apresenta um funcionamento particular nos aspectos energético, emocional e corporal — expressões que podem ser consideradas caminhos de acesso ao inconsciente. (WAGNER, 2009). 

Segundo Reich (1998), o objetivo de uma futura prevenção das neuroses é ajudar a formar personalidades que ofereçam ao ego tanto segurança diante dos desafios internos e externos quanto liberdade para se expressar social e sexualmente — o que é essencial para o equilíbrio emocional.

CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

REICH. W. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

SCARPATO, Artur Thiago.  A Psicossomática Reichiana. Artigo publicado pela Revista Catharsis n. 28 Nov-dez 1999.

WAGNER, Cláudio M. Reich e a Terapia Psicorporal. In: ALBERTINI, P.; FREITAS, L. V. (Org.). Jung e Reich: articulando conceitos e práticas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. p. 148-157.

 

DA SÉRIE: PRINCIPAIS CONCEITOS DE WILHELM REICH

Reich chamou de "couraças" os mecanismos de defesa que o corpo e a mente criam, de forma inconsciente, para se proteger de dores emocionais ou traumas. Essas defesas, embora ajudem a manter o equilíbrio interno, acabam bloqueando o nosso fluxo natural de energia e vitalidade. No corpo, elas podem aparecer como tensões, dores ou problemas físicos; na mente, como medos, ansiedade ou outros sintomas emocionais.

Servem para proteger o indivíduo contra experiências emocionais dolorosas e ameaçadoras, funcionando como um escudo que protege o indivíduo contra impulsos perigosos oriundos de sua própria personalidade, assim como das investidas de terceiros (LOWEN, 1982). 

O encouraçamento revela bloqueios no fluxo da energia orgone (energia vital), comprometendo sua pulsação natural, essencial ao funcionamento dos processos vitais do organismo.

 “Seu modo de reagir procede sempre de acordo com o princípio do prazer e do desprazer. Em situações de desprazer, a couraça se contrai; em situações de prazer, ela se expande” (REICH, 1998).

As emoções correspondem ao movimento da energia orgone no organismo e os bloqueios emocionais, a perturbações no movimento espontâneo dessa energia, os quais interferem na função de pulsação.

O encouraçamento se manifesta nos órgãos e tecidos que executam as ações do corpo, sendo resultado direto de mensagens distorcidas — causadas pelos mecanismos de defesa — que chegam até eles devido a falhas na integração promovida pelo sistema nervoso central. Também pode aparecer nos órgãos sensoriais, gerando bloqueios ou distorções na forma como percebemos o mundo. (TROTTA, 2000).

Reich decodificou e mapeou o componente psicoemocional envolvido com o encouraçamento de cada região do corpo, o qual ele chamou de disposição segmentar da couraça. Segundo Reich, a couraça se dispõe no corpo em sete segmentos que são: ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico. 

O conceito reichiano revela que, ao flexibilizar as couraças e tensões musculares, as emoções reprimidas e as memórias emergiam à consciência. O processo terapêutico deve buscar a conscientização e a flexibilização dos mecanismos defensivos, e não “eliminá-los”, já que isto seria impossível (CALEGARI, 2001).

 

CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CALEGARI, D. Da Teoria do Corpo ao Coração: Uma Visão do Homem a Partir da Energia Cósmica. São Paulo: Summus Editorial, 2001.

LOWEN, Alexander. Bioenergética. Trad. Maria Silva Mourão Netto. São Paulo: Summus, 1982.

REICH. W. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

TROTTA, Ernani E. “Wilhelm Reich e a psicossomática”. In: MALUF, Nicolau (Org.). Reich: O corpo e a clínica. São Paulo: Summus, 2000. p. 105-122.

 

DA SÉRIE: PRINCIPAIS CONCEITOS DE WILHELM REICH

O corpo humano é um universo pulsante, que vive e se move com sabedoria própria. Dotado de inteligência natural, possui mecanismos que preservam sua vitalidade e mantêm a homeostase — o equilíbrio energético essencial à vida.

O conceito reichiano de autorregulação define que “um organismo saudável é um sistema regulado em si mesmo, no estado de coordenação harmônica entre processos pulsantes em todas as células e órgãos, até os movimentos respiratórios e os movimentos pulsantes no reflexo do orgasmo” (JEBER, 2006). Para Reich, o orgasmo é uma função autorreguladora do organismo vivo.

O organismo é regido por leis e fluxos naturais que, se devidamente respeitados, ou seja, se bem autorregulados, permitem ao indivíduo a realização de suas potencialidades inatas (JEBER, 2006). Se não houver uma autorregulação adequada e essas leis e fluxos forem interrompidos, resulta-se em uma desorganização que causa um organismo disfuncional.

É assim que observamos pessoas neuróticas e desconectadas de si mesmas, com dificuldade de expressar suas emoções — resultado direto da repressão de sua energia sexual.

Para Reich, a repressão sexual vai além de ‘limitar o sexo’ ou o ato sexual em si — ela representa a repressão da nossa força vital, da nossa capacidade de viver com prazer e plenitude. Isso porque a energia sexual é, na verdade, a mesma energia que nos impulsiona a viver, criar e sentir satisfação verdadeira.

O desrespeito à autorregulação ocasiona o que Reich denominou de processo de encouraçamento. A couraça muscular corresponde à falta de pulsação vital (contração e expansão de tudo o que é vivo).  

Quanto mais autorregulado está um indivíduo, mais seu corpo pulsa com naturalidade — num ritmo harmonioso de contração e expansão. Para Reich, essa autorregulação é o verdadeiro objetivo terapêutico. Um corpo que pulsa plenamente é capaz de alcançar o reflexo orgástico, e, com isso, o indivíduo acessa uma vida com mais vitalidade, presença e potência.

CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:

JEBER, Leonardo José. Educação pela Autonomia através da Auto-regulação: uma perspectiva reichiana. UFMG: Escritos educ. v.5 n.1 Ibirité jun. 2006.

 

DA SÉRIE: PRINCIPAIS CONCEITOS DE WILHELM REICH

Reich denominou potência orgástica “a capacidade de entrega ao fluxo de energiabiológica, sem inibições; é a capacidade de descarregar a excitação sexual contida, por meio de convulsões corporais involuntárias, mas agradáveis” (REICH, 1975).

Segundo Reich, o excedente de carga no organismo é mais eficientemente descarregado através da Potência Orgástica. Não apenas a sexualidade, mas a própria vida funcionava de acordo com o padrão orgástico de carga e descarga, expansão e contração, padrão este que ele utilizou para definir a fórmula do orgasmo, a qual se dá em quatro fases: tensão, carga, descarga e relaxamento.

No entanto, “o homem é a única espécie biológica que destruiu a sua própria função sexual e está doente em consequência disso” (REICH, 1975). Segundo este pesquisador das ciências naturais, “o homem moderno é estranho à sua própria natureza”. 

Para Reich (1975), toda neurose é uma perturbação física que estaria fundada numa estagnação da libido - um acúmulo excessivo de energia impossibilitada de ser descarregada pela via da genitalidade, que forneceria a energia ao desenvolvimento da neurose. A libido, impedida de descarga direta, buscaria sua descarga por meio dos sintomas neuróticos, reativando conteúdos infantis que tomam lugar das ideias normais (REICH, 1975).

A verdadeira solução para os bloqueios na nossa capacidade de sentir prazer e vitalidade começa quando o corpo funciona de forma equilibrada, com a energia fluindo naturalmente. Quando isso não acontece, o corpo tende a regredir a estados mais imaturos, acumulando tensão e dificultando a liberação dessa energia.

O orgasmo, realizado conforme a potência orgástica, seria capaz de desfazer essa estase de libido e eliminar a neurose decorrente dela, além de desempenhar uma função protetora e profilática. “Reich passou a propor o estabelecimento da potência orgástica como critério para o término da análise” (SILVA, 2009), não significando, contudo, que o analista fosse impô-la ao seu paciente. Isto seria impossível de qualquer forma. O objetivo da análise era produzir uma transformação na estrutura libidinal do paciente que permitisse à genitalidade surgir de forma orgasticamente potente (SILVA, 2009).

O corpo pode chegar ao reflexo do orgasmo quando pulsa plenamente, e este reflexo se caracteriza por uma onda energética que corre do centro vegetativo por todo o corpo. Para alcançá-lo, Reich observava a respiração, os movimentos expressivos e manejava cada um dos segmentos corporais (ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico).

“A saúde psíquica depende da potência orgástica, isto é, do grau de capacidade de entrega e de vivência no que respeita ao clímax da excitação no ato sexual natural. Está baseada na atitude de caráter não neurótico da capacidade do indivíduo para o amor. As doenças psíquicas são o resultado de uma perturbação da capacidade natural de amar. No caso da impotência orgástica, de que sofre uma maioria esmagadora, ocorre um bloqueio da energia biológica e torna-se fonte de ações irracionais. O fator básico para curar perturbações psíquicas é o restabelecimento da capacidade natural de amar. Depende tanto das condições sociais quanto psíquicas” (REICH, 1975).

CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

REICH, Wilhelm. A Função do Orgasmo. São Paulo: Martins Fontes, 1975.
SILVA, João R. O. Reich e a psicanálise: o encontro. In.: ALBERTINI, P.; FREITAS, L. V. (Org.). Jung e Reich: articulando conceitos e práticas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. p. 108-125