Você já teve a sensação de que vive “na cabeça”? Pensamentos acelerados, tensão constante no pescoço, nos ombros ou na lombar? Sente-se desconectado do próprio corpo, como se estivesse “pairando” ou com dificuldade de relaxar?
Se respondeu sim a alguma dessas perguntas, talvez você esteja com o corpo suspenso — um estado de desequilíbrio energético em que a vitalidade se concentra na parte superior do corpo, especialmente na cabeça, e se afasta da base.
Segundo Alexander Lowen, criador da Bioenergética, isso tem sido cada vez mais comum na sociedade moderna. Fomos ensinados a valorizar o pensamento, a produtividade e o controle mental — mas, nesse processo, desconectamos da base, do instinto, da emoção e da força vital que mora na parte inferior do corpo.
A maioria das pessoas hoje vive com o foco no topo: pensamentos, fala, decisões, desempenho. Enquanto isso, regiões como o abdômen, a pelve e as pernas — que são nossa base de sustentação — ficam tensas, travadas ou até “desligadas”.
Essa energia ascendente cria uma cisão entre corpo e mente, entre razão e emoção. É como se vivêssemos “do pescoço para cima”, nos distanciando de sensações, desejos, prazer e até mesmo da segurança interior.
Para os orientais, o centro vital está no hara (região abaixo do umbigo). Quando estamos conectados a esse ponto, sentimos equilíbrio, presença e confiança. Quando perdemos essa conexão, surgem sintomas como ansiedade, insegurança, medo de falhar ou de se entregar — inclusive ao prazer.
Estilo de vida sedentário e falta de movimento corporal
Posturas rígidas e tensões crônicas, especialmente no abdômen
Respiração curta e superficial (o famoso “respirar pelo peito”)
Pensamento acelerado e excesso de tarefas
Uso excessivo de eletrônicos e sobrecarga mental
Falta de contato com a natureza e com a terra
Não andar descalço (perdemos a conexão sensorial com o chão)
Tudo isso gera um corpo em modo de alerta, que tenta controlar tudo com a mente, mas que vive desconectado da própria energia vital.
Na Terapia Corporal, usamos o termo grounding para descrever o estado em que o corpo está conectado ao chão, presente no aqui e agora, com os pés firmes e a energia bem distribuída.
É quando a energia volta a circular de forma natural: da cabeça ao chão e do chão para cima.
É quando o corpo respira, sente, relaxa, se entrega — e recupera a espontaneidade e o prazer de viver.
Estar “aterrado” é mais do que uma metáfora. É literalmente estar enraizado na vida, com presença, segurança e fluidez.
A boa notícia é que esse estado pode ser recuperado com práticas simples e consistentes. A Terapia Corporal utiliza movimentos, respiração e consciência corporal para desfazer tensões, reorganizar o fluxo energético e trazer o corpo de volta ao seu eixo natural.
✨ No Curso Online de Movimentos Terapêuticos, você vai aprender:
Como ativar o grounding no dia a dia
Como liberar tensões acumuladas na pelve, abdômen e pernas
Exercícios para restabelecer o fluxo energético de cima para baixo
Como a reconexão com o corpo ajuda a reduzir ansiedade, aumentar a vitalidade e a confiança
E como voltar a sentir prazer, presença e equilíbrio em seu corpo
Um corpo com grounding é um corpo que confia.
Ele não precisa se segurar — ele se sustenta.
🌿 Se você sente que está “no ar”, desconectado de si, esse é o chamado para voltar para o chão, para o corpo, para a vida.
Vamos juntos?
CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®
Quer se conectar consigo? Clique abaixo para adquirir o curso. Seu corpo merece esse reencontro.
Você é do tipo que evita conflitos, engole o choro, diz “tá tudo bem” mesmo quando não está? Ou faz parte do time que explode por qualquer motivo, perde o controle, se arrepende depois, mas não consegue evitar?
Essas duas formas de lidar com a raiva — engolir ou explodir — parecem opostas, mas na verdade têm a mesma origem: a dificuldade de expressar as emoções de maneira saudável.
Na Terapia Corporal, aprendemos que emoções como a raiva não desaparecem só porque tentamos ignorá-las. Pelo contrário: elas se acumulam no corpo, e, quando não encontram uma via de expressão adequada, acabam saindo por caminhos distorcidos.
Quem engole a raiva pode se tornar aquela pessoa “boazinha demais”, que diz sim para tudo, mas carrega tensão constante no corpo, fadiga, dores psicossomáticas, e até sintomas de ansiedade e depressão. Essa energia reprimida vai se cristalizando em forma de rigidez muscular e bloqueios emocionais.
Já quem explode com facilidade também está enfrentando um bloqueio: o da regulação emocional. Quando o corpo está sobrecarregado, qualquer gatilho é suficiente para liberar uma descarga intensa e desproporcional. E, muitas vezes, o problema não está no que aconteceu, mas no acúmulo que já vinha de antes.
Em ambos os casos, a raiz é a mesma: falta de um canal consciente para dar vazão à emoção.
A boa notícia? Existe saída.
A raiva não é vilã — ela é uma força vital poderosa, que faz parte da chamada agressividade positiva. É essa energia que nos impulsiona para a ação, nos ajuda a colocar limites, dizer “não”, buscar nossos objetivos e lutar pelo que acreditamos.
Como disse Alexander Lowen, “a raiva é uma força de vida positiva com fortes propriedades curativas”. E o corpo sabe disso — ele só precisa de um caminho seguro para liberar essa energia de forma consciente.
💥 No Curso Online de Movimentos Terapêuticos, você vai aprender exatamente isso:
Como reconhecer e liberar emoções reprimidas como a raiva, o medo e a dor
Como descarregar o excesso de energia emocional sem causar danos a si ou aos outros
Como trazer leveza, equilíbrio e vitalidade de volta ao corpo
Nesse curso, você vai encontrar práticas corporais para liberar a raiva, o medo, a dor e outras emoções que muitas vezes ficam congeladas no corpo. São movimentos acessíveis, profundos e transformadores, que te ajudarão a restaurar o fluxo saudável de energia emocional e a viver com mais autenticidade e presença.
A raiva não precisa ser engolida nem explodida. Ela pode ser sentida, expressada e transformada.
Se você quer se relacionar melhor com suas emoções, cultivar mais presença e autenticidade no seu corpo e na sua vida, te convido a conhecer o curso.
📩 Se quiser saber mais sobre o curso ou tirar dúvidas, entre em contato. Vamos conversar sobre como liberar essa força de vida que existe dentro de você!
CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®
A árvore é um dos símbolos mais antigos e universais da humanidade. Ela representa a vida em constante transformação, o equilíbrio entre enraizamento e crescimento, nascimento e renovação. Conectada à terra, mas em direção ao céu, ela espelha a jornada humana entre corpo e consciência. Foi por isso que escolhi a árvore como símbolo do meu trabalho com a Terapia Corporal e com o Movimento Terapêutico: porque ela expressa, em forma viva, a sabedoria do corpo.
Muitas tradições filosóficas e espirituais falam da árvore da vida como um mapa simbólico do ser humano. No corpo, esse mapa começa na planta dos pés — que se assemelha a uma semente — e se estende até o topo da cabeça. Assim como uma árvore precisa de raízes fortes, de um tronco estável e de galhos livres para se expandir, o ser humano também precisa desses três níveis bem integrados para florescer.
No Movimento Terapêutico, as raízes correspondem ao nosso contato com o chão, à nossa estrutura básica de sustentação. Isso é o que chamamos de ajuste tensional. As tensões musculares crônicas, muitas vezes inconscientes, nos impedem de sentir segurança e presença no corpo. Através de movimentos específicos, respiratórios e de descarga, é possível reorganizar esse tônus muscular, trazendo uma base mais sólida e flexível para o corpo existir.
É aqui que entra o conceito de grounding, muito valorizado na psicoterapia corporal reichiana: estar enraizado significa ter os pés bem assentados no chão da realidade, estar conectado ao presente, à terra e às próprias emoções. Como lembra Leloup (2011), “se as raízes são sadias, toda árvore é sadia”. No corpo, isso começa pelos pés — nossas raízes na terra — que sustentam toda a estrutura acima.
Tronco: O Ajuste Metabólico e a Regulação InternaO tronco representa o eixo central do corpo — a coluna, o abdômen, o tórax — e se relaciona com o ajuste metabólico. Aqui, o Movimento Terapêutico atua na regulação do fluxo interno, no equilíbrio entre ativação e repouso, entre inspiração e expiração, entre digestão e eliminação. É a área em que se localizam os órgãos vitais e onde pulsa a energia que nos mantém vivos.
Através de movimentos que estimulam a fáscia, a respiração diafragmática e o contato consciente com o eixo corporal, é possível reorganizar esse centro e ativar os processos de autorregulação. O tronco é o canal por onde sobe a seiva — ou a energia vital — que alimenta a expansão da vida. Manter esse eixo fluido e disponível é essencial para o equilíbrio emocional e físico.
Por fim, os galhos representam o nosso campo sensorial e perceptivo — a forma como sentimos, nos expressamos e nos abrimos ao mundo. No Movimento Terapêutico, isso se relaciona ao ajuste sensorial, à ampliação da percepção do corpo e ao acesso às emoções que muitas vezes estão aprisionadas em padrões inconscientes.
Com movimentos que exploram o espaço, o toque, o olhar e a respiração plena, os galhos podem “se abrir” — permitindo que o corpo acesse novas possibilidades de expressão, prazer e contato com o mundo. São os galhos que florescem e frutificam, assim como nossas vivências quando estamos integrados e disponíveis.
Assim como a árvore, o corpo é um sistema vivo que pulsa, sente, cresce e se transforma. Ele guarda memórias, tensões e potências. E quando cuidamos dele com atenção, abrimos espaço para que sua inteligência natural floresça. O Movimento Terapêutico é uma prática que honra essa sabedoria da natureza, permitindo que o corpo encontre seu caminho de volta ao equilíbrio — da raiz ao topo.
A pergunta de Leloup ressoa profundamente: "Quais são as nossas raízes?" Talvez o caminho para responder a essa pergunta não esteja apenas na mente, mas no corpo. E o Movimento Terapêutico pode ser essa trilha de volta para casa.

CLAUDIA VELOSO _ CORPOTERAPIA®
LELOUP, J. O corpo e seus símbolos: uma antropologia essencial. 19. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.
Wilhelm Reich é considerado o pai das Psicoterapias Corporais no Ocidente. A Psicoterapia Corporal parte do princípio de que mente e corpo formam uma unidade indissociável, atuando de forma integrada na experiência humana.
Médico, psicanalista e cientista natural, Reich rompeu com a Psicanálise freudiana ao perceber a importância de incluir o corpo na clínica – entre outras divergências conceituais com Freud. Observando que as resistências e neuroses dos pacientes se manifestavam também no corpo, Reich desenvolveu três abordagens terapêuticas ao longo de sua trajetória pós-psicanalítica:
Essas três abordagens representam um continuum em sua obra, com evolução metodológica e a introdução de novas concepções filosóficas, científicas e clínicas.
A partir das descobertas de Reich, diversas abordagens terapêuticas corporais foram desenvolvidas, muitas delas denominadas neo-reichianas. As mais conhecidas incluem:

Além das abordagens de base reichiana, outras linhas corporais contemporâneas também se destacam no campo terapêutico:
Enfim, o corpo é uma via essencial de acesso à experiência emocional, à memória e à transformação terapêutica. Graças a Reich e aos desenvolvimentos posteriores, a Psicoterapia Corporal hoje se apresenta como um campo rico, diverso e profundamente transformador, oferecendo múltiplos caminhos para o autoconhecimento, a cura de traumas e o florescimento do ser.
Claudia Veloso - Corpoterapia®
#corpoterapia #terapiacorporal #terapiareichiana #bioenergetica #movimentosterapeuticos
Um caminho consciente para liberar tensões, acessar emoções e restaurar o corpo
Vivemos em um mundo acelerado, que nos exige muito e, frequentemente, nos desconecta de nós mesmos. Muitas das dores, desconfortos e bloqueios que sentimos no corpo não vêm apenas da postura ou do cansaço físico, mas de conteúdos emocionais não processados, experiências traumáticas e tensões crônicas que se acumulam silenciosamente. É nesse contexto que surge o Movimento Terapêutico — uma prática corporal profunda, que une ciência, sensibilidade e propósito.
Uma abordagem que vai além do exercício físico
O Movimento Terapêutico não é uma ginástica convencional. Ele propõe uma reconexão com o corpo por meio de movimentos conscientes, suaves ou intensos, com foco na liberação de tensões, no prazer de se mover e na ampliação da percepção corporal. A proposta é transformar o movimento em um canal de escuta, expressão e autorregulação.
Cada prática é orientada por princípios da terapia corporal reichiana, pela compreensão da fáscia — esse tecido que interliga todo o corpo — e por técnicas que estimulam o sistema nervoso autônomo de forma reguladora e restaurativa.
Por que a fáscia é tão importante?
A fáscia é uma rede contínua de tecido conjuntivo que envolve músculos, ossos, órgãos e estruturas do corpo, funcionando como um sistema de comunicação sensível e responsivo. Ela é altamente inervada, reage às nossas emoções e guarda memórias somáticas. Quando estamos sob estresse, tristeza ou medo, a fáscia pode se contrair e enrijecer — o que conhecemos na terapia corporal como couraça.
Técnicas que promovem expansão, vibração, mobilidade e sustentação da fáscia ajudam a liberar essas tensões, facilitando o acesso a emoções reprimidas e promovendo uma reorganização interna. A prática frequente desses movimentos ativa a chamada biointeligência do corpo — um saber interno que orienta o organismo a encontrar equilíbrio, fluidez e vitalidade.
Benefícios do Movimento Terapêutico
Para quem é o Movimento Terapêutico?
Essa prática é indicada para quem:
Um curso acessível, prático e transformador
O Curso Online de Movimentos Terapêuticos foi criado para tornar esse conhecimento acessível e aplicável no seu dia a dia. Você só precisa de um tapete e vontade de se cuidar — as aulas podem ser feitas em casa, no seu tempo, e com total autonomia.
Essa jornada é um convite para transformar a relação com seu corpo e acessar um estado mais íntegro de saúde e consciência. O corpo guarda, mas também sabe como liberar. E o movimento é o seu maior aliado!
CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®
#terapiacorporal #fascia #movimentoterapeutico #emoções #movimentointeligente
Imagine descobrir que um componente crucial do seu corpo foi negligenciado por tanto tempo. Em laboratórios de anatomia, este tecido era descartado, pois achava-se que era inútil no nosso corpo.
A fáscia, esse tecido aparentemente simples, na verdade desempenha um papel vital em nossa saúde física, emocional e mental. A fáscia não é apenas um tecido inerte; é um sistema dinâmico e altamente adaptável que responde não apenas aos estresses mecânicos, mas também às nossas experiências emocionais e traumáticas ao longo da vida.
Prepare-se para ter sua mente aberta para as possibilidades que a fáscia oferece! Veja abaixo 07 motivos para você começar a trabalhar seu corpo de forma inteligente:
Trabalhar com a Fáscia é uma oportunidade que poucos reconhecem, mas que pode transformar sua saúde e bem-estar. O trabalho com a fáscia foi um divisor de águas na minha profissão, e espero que você reconheça a sua importância e comece a se movimentar de forma inteligente e eficaz!
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CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®
CONHEÇA AS ABORDAGENS TERAPÊUTICAS REICHIANAS: ANÁLISE DO CARÁTER, VEGETOTERAPIA CARACTERO-ANALÍTICA E ORGONOTERAPIA
As abordagens reichianas representam um importante desdobramento dentro do campo das terapias corporais e psicodinâmicas. Desenvolvidas por Wilhelm Reich, médico e psicanalista austríaco, essas práticas integram corpo, mente e energia vital, propondo uma compreensão ampliada do ser humano. Reich foi pioneiro ao perceber que os processos psíquicos estão intimamente ligados às expressões corporais e ao fluxo energético do organismo. Suas contribuições desafiaram os limites da psicanálise tradicional e abriram caminhos para uma clínica que reconhece o corpo como protagonista no processo terapêutico. A seguir, exploraremos a evolução de suas ideias, desde a Análise do Caráter até a Orgonoterapia, destacando os fundamentos e princípios que estruturam as abordagens reichianas.
Segundo Câmara (2009), Reich resgata a importância da libido na origem das neuroses, defendendo que o equilíbrio entre a carga e a descarga dessa energia torna o indivíduo menos propenso ao adoecimento.
Enquanto a psicanálise tradicional se apoia na livre associação — em que o paciente deve falar tudo o que lhe vem à mente —, Reich passou a se concentrar na análise das resistências. Como explica Chastka (2007), ele percebeu que “era essa tendência dos pacientes em esconder a verdade sobre si mesmos, a sua resistência, que era necessária ser desmascarada primeiramente, antes que as memórias e sentimentos reprimidos pudessem aparecer”.
Após seu rompimento com a psicanálise, Reich desenvolveu três fases terapêuticas principais: a Análise do Caráter (até 1934), a Vegetoterapia Caractero-Analítica (de 1934 a 1939) e a Orgonoterapia (de 1939 a 1957). Essas abordagens formam um desenvolvimento contínuo de sua obra, marcando a evolução de sua técnica e a incorporação de novas perspectivas filosóficas.
ANÁLISE DO CARÁTER
Entre 1920 e 1934, Wilhelm Reich desenvolveu a Análise do Caráter, propondo que a energia sexual — ou energia vital — ficava bloqueada na couraça muscular, formada por padrões corporais e emocionais rígidos associados às neuroses. Diferente da psicanálise tradicional, Reich observou que a resistência ao tratamento não estava apenas no conteúdo do que o paciente dizia, mas principalmente na forma como ele se expressava. Ou seja, o foco passou a ser o “como” e não apenas o “o quê” (CHASTKA, 2007).
Segundo Trotta (2000), Reich analisava sinais como tom de voz, postura, gestos e expressões faciais, levando o paciente a tomar consciência desses comportamentos. O trabalho terapêutico, então, começava pela análise dessas resistências inconscientes, para depois alcançar os conteúdos reprimidos. À medida que o paciente entendia seu modo de funcionar no presente, ia reconstruindo sua história e promovendo uma nova forma de ser (CÂMARA, 2009).
A abordagem reichiana passou a considerar o corpo como expressão direta da psique, destacando a importância de ler os traços corporais como manifestações do fluxo energético (REICH, 2003). Como explica Scarpato (1999), o corpo e a postura estão intimamente ligados aos mecanismos de defesa e à história emocional da infância — a criança interior permanece ativa e influencia o comportamento adulto.
VEGETOTERAPIA CARACTEROANALÍTICA (VCA)
A Vegetoterapia Caracteroanalítica (VCA) foi desenvolvida por Wilhelm Reich em 1937 como uma extensão da Análise do Caráter, aplicando seus princípios ao corpo. O nome da técnica vem do sistema neurovegetativo (hoje chamado sistema nervoso autônomo), responsável pelas funções involuntárias do organismo e dividido entre os sistemas simpático e parassimpático.
Para Reich, a VCA não substitui a Análise do Caráter, mas a amplia para o plano somático, unindo interpretação verbal e intervenções corporais (ALBERTINI, 2009). Essa foi a primeira proposta estruturada de psicoterapia corporal.
Reich observou que todo bloqueio emocional se expressa também no corpo, especialmente na musculatura, e que essa repressão é mediada pelo ego sobre o sistema vegetativo (WAGNER, 2003). Assim, ao trabalhar diretamente sobre os músculos enrijecidos, o terapeuta ajudava o paciente a acessar conteúdos inconscientes e promover a liberação emocional (REICH, 1975, 1979).
Ele propôs técnicas como massagens, respiração profunda, movimentos oculares e expressões corporais para ajudar o paciente a se conectar com emoções reprimidas. Com isso, surgiam mudanças espontâneas na postura, no comportamento e nas atitudes emocionais.
O trabalho se inicia no segmento ocular e segue até o segmento pélvico, respeitando a ordem do desenvolvimento emocional infantil. Embora Reich não tenha deixado uma sistematização completa da VCA, essa tarefa foi realizada por seguidores como Federico Navarro (1995), que organizou os "actings" para cada segmento.
Apesar de seus benefícios, Reich alertava que, ao fim do processo, padrões neuróticos podem tentar se reinstalar, trazendo inseguranças diante do prazer e da entrega à vida. Ainda assim, ao recuperar o reflexo do orgasmo, o sujeito retoma o contato com sua energia vital e com os outros (CÂMARA, 2009).
ORGONOTERAPIA
Entre 1939 e 1957, Wilhelm Reich expandiu suas pesquisas para a biologia, investigando a bioeletricidade e o movimento pulsante dos seres vivos. Ao estudar a decomposição de tecidos, descobriu os bions, pequenas unidades de energia vital. A partir disso, identificou a existência de uma energia cósmica primária, que denominou energia orgone, base da ciência que fundou: a Orgonomia (NETO, 2019).
A energia orgone é pulsante, viva e imprevisível, irradiada pelos bions, e influencia tanto o funcionamento biológico quanto os estados emocionais (CALEGARI, 2001). O corpo humano, segundo Reich, é um sistema orgonótico, cuja forma revela o movimento energético interno (REICH, 2003). Essas descobertas aprofundaram sua compreensão sobre o encouraçamento – a rigidez muscular e emocional que bloqueia o fluxo energético.
Reich desenvolveu o conceito de biopatia, doenças causadas por distúrbios da pulsação biológica, especialmente da descarga sexual, considerada essencial para a saúde (REICH, 2009). A contenção do fluxo de energia orgone, causada pelo encouraçamento, gera bloqueios energéticos que predispõem o organismo às biopatias.
Para tratar esses bloqueios, Reich introduziu aparelhos orgonômicos e passou a denominar sua abordagem terapêutica de orgonoterapia, com foco na restauração da pulsação vital e do equilíbrio biofísico do indivíduo (WAGNER, 2003). Essa prática envolve técnicas que atuam diretamente no corpo e nas emoções, promovendo autonomia, autorregulação e integração psíquico-somática.
Segundo Reich (1998), a orgonoterapia é uma terapia biológica, que não se restringe ao campo psíquico ou fisiológico, mas atua sobre o sistema nervoso autônomo e nas emoções, vistas como movimentos plasmáticos de prazer (expansão) ou angústia (retração).
Essa abordagem integra análise do caráter, vegetoterapia e o uso da energia orgone, reconhecendo que corpo e mente são inseparáveis, pois ambos estão enraizados no mesmo funcionamento energético corporal (REICH, 2009).
Por fim, embora muitas das ideias de Reich tenham sido inicialmente vistas com ceticismo, suas investigações abrangem áreas tão diversas — da biologia às galáxias, da psicoterapia à ecologia — que hoje algumas começam a ganhar respaldo da ciência contemporânea (CALEGARI, 2001).
CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ALBERTINI, P.; FREITAS, L. V. (Org.). Jung e Reich: articulando conceitos e práticas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. p. 148-157.
CALEGARI, D. Da Teoria do Corpo ao Coração: Uma Visão do Homem a Partir da Energia Cósmica. São Paulo: Summus Editorial, 2001.
CÂMARA, Marcus V. de A. Wilhelm Reich: Dados Biográficos e Orientações Básicas. IN: ALBERTINI, P.; FREITAS, L. V. (Org.). Jung e Reich: articulando conceitos e práticas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. Pag 97-107.
CHASTKA, Edward. The historyofthedevelopmentof medical orgonetherapy. Journal of Orgonomy, vol. 41, no. 2, 2007. IN: NETO, FRANCISCO BISSOLI. O Funcionalismo Orgonômico de Wilhelm Reich e A Sua Concepção de Saúde-Adoecimento. Programa de pós-graduação em saúde coletiva; Centro de ciências da saúde. UFSC. Florianópolis, 2019.
NETO, Francisco Bissoli. O Funcionalismo Orgonômico de Wilhelm Reich e A Sua Concepção de Saúde-Adoecimento. Programa de pós-graduação em saúde coletiva; Centro de ciências da saúde. UFSC. Florianópolis, 2019.
REICH. W. Análise do Caráter. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
REICH, Wilhelm. O Éter, Deus e o Diabo; seguido de A Superposição Cósmica. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2003.
REICH, Wilhelm. A Biopatia do Câncer. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2009.
SCARPATO, Artur Thiago. A Psicossomática Reichiana. Artigo publicado pela Revista Catharsis n. 28 Nov-dez 1999.
WAGNER, Cláudio Mello. A Transferência na Clínica Reichiana. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.