
DA SÉRIE: PRINCIPAIS CONCEITOS DE WILHELM REICH
Reich denominou potência orgástica “a capacidade de entrega ao fluxo de energiabiológica, sem inibições; é a capacidade de descarregar a excitação sexual contida, por meio de convulsões corporais involuntárias, mas agradáveis” (REICH, 1975).
Segundo Reich, o excedente de carga no organismo é mais eficientemente descarregado através da Potência Orgástica. Não apenas a sexualidade, mas a própria vida funcionava de acordo com o padrão orgástico de carga e descarga, expansão e contração, padrão este que ele utilizou para definir a fórmula do orgasmo, a qual se dá em quatro fases: tensão, carga, descarga e relaxamento.
No entanto, “o homem é a única espécie biológica que destruiu a sua própria função sexual e está doente em consequência disso” (REICH, 1975). Segundo este pesquisador das ciências naturais, “o homem moderno é estranho à sua própria natureza”.
Para Reich (1975), toda neurose é uma perturbação física que estaria fundada numa estagnação da libido - um acúmulo excessivo de energia impossibilitada de ser descarregada pela via da genitalidade, que forneceria a energia ao desenvolvimento da neurose. A libido, impedida de descarga direta, buscaria sua descarga por meio dos sintomas neuróticos, reativando conteúdos infantis que tomam lugar das ideias normais (REICH, 1975).
A verdadeira solução para os bloqueios na nossa capacidade de sentir prazer e vitalidade começa quando o corpo funciona de forma equilibrada, com a energia fluindo naturalmente. Quando isso não acontece, o corpo tende a regredir a estados mais imaturos, acumulando tensão e dificultando a liberação dessa energia.
O orgasmo, realizado conforme a potência orgástica, seria capaz de desfazer essa estase de libido e eliminar a neurose decorrente dela, além de desempenhar uma função protetora e profilática. “Reich passou a propor o estabelecimento da potência orgástica como critério para o término da análise” (SILVA, 2009), não significando, contudo, que o analista fosse impô-la ao seu paciente. Isto seria impossível de qualquer forma. O objetivo da análise era produzir uma transformação na estrutura libidinal do paciente que permitisse à genitalidade surgir de forma orgasticamente potente (SILVA, 2009).
O corpo pode chegar ao reflexo do orgasmo quando pulsa plenamente, e este reflexo se caracteriza por uma onda energética que corre do centro vegetativo por todo o corpo. Para alcançá-lo, Reich observava a respiração, os movimentos expressivos e manejava cada um dos segmentos corporais (ocular, oral, cervical, torácico, diafragmático, abdominal e pélvico).
“A saúde psíquica depende da potência orgástica, isto é, do grau de capacidade de entrega e de vivência no que respeita ao clímax da excitação no ato sexual natural. Está baseada na atitude de caráter não neurótico da capacidade do indivíduo para o amor. As doenças psíquicas são o resultado de uma perturbação da capacidade natural de amar. No caso da impotência orgástica, de que sofre uma maioria esmagadora, ocorre um bloqueio da energia biológica e torna-se fonte de ações irracionais. O fator básico para curar perturbações psíquicas é o restabelecimento da capacidade natural de amar. Depende tanto das condições sociais quanto psíquicas” (REICH, 1975).
CLAUDIA VELOSO_ CORPOTERAPIA®
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
REICH, Wilhelm. A Função do Orgasmo. São Paulo: Martins Fontes, 1975.
SILVA, João R. O. Reich e a psicanálise: o encontro. In.: ALBERTINI, P.; FREITAS, L. V. (Org.). Jung e Reich: articulando conceitos e práticas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. p. 108-125